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FESTIVAIS NO FUTEBOL DE VÁRZEA

Quando a grana ficava apertada organizávamos um festival, ou seja, convidávamos uma dúzia de times para num domingo realizar vários jogos a partir das oito horas da manhã até o dia acabar. Normalmente o último jogo do dia era o clássico do time da casa contra o adversário de maior prestígio.
Para estes jogos comprávamos troféus a serem disputados, e os times convidados para os festivais sentiam-se valorizados e ao invés de cobrarem vantagem pagavam uma cota especial para participarem do festival.

Nestas oportunidades os campos eram demarcados, colocavam-se redes novas, bandeiras, fogos eram queimados, tudo para abrilhantar a festa que atraia torcedores de todos os times que constituía um bom público consumidor e neste dia a barraca do clube anfitrião estoura a boca do balão e normalmente realizava o maior lucro do ano.

Finanças à parte, o dia de festival era uma grande festa, que preocupava a vizinhança em função da quantidade de estranhos que circulavam pelo bairro, muitos deles completamente bêbados por serem bons clientes da barraca.

Eu recordo que minha mãe preparava uns salgadinhos especiais e lá ia eu com o tabuleiro vender na beira do campo, sempre com um olho no freguês, para ver se ele não fugia sem pagar a conta, e o outro no Zulu, que não queria concorrência com a barraca. Dava para ganhar um bom dinheiro naqueles domingos de festivais.

Normalmente o time anfitrião estreava seu fardamento novo nos festivais, e neste dia era proibido perder o jogo, missão esta muito difícil, pois normalmente o adversário nesta ocasião era um time de qualidade.
Lá no Falcão do Morro estes jogos sempre foram apitados pelo Bertão “perna rica", o apelido foi dado, pois em um desfile da Escola de Samba do Falcão, que na oportunidade ainda era apenas um Cordão, o Bertão com a fantasia da Escola passou um saquinho para angariar dinheiro para ajudar uma família da comunidade que havia perdido a casa, ali na Rua Tomazo Ferrara, quando da grande enchente de Itaquera. No final do desfile o Cobrinha pediu o saco com a coleta para o Bertão e notou que no saco havia muito pouco dinheiro, porém notou também que as pernas na calça da fantasia do Bertão estavam mais bufantes que o normal. Ele havia colocado quase todo o dinheiro coletado nas pernas das calças que naquele dia se tornaram as pernas mais ricas de Itaquera.
Pois bem com o Bertão apitando o Falcão nunca perdeu um jogo, ele roubava o tempo todo para o time adversário em pequenas faltas no meio do campo, laterais e tudo que podia inventar marcava contra o Falcão desde que não acarretasse em perigo de gol. Brigava com os jogadores do Falcão e ameaçava de expulsão, dava vantagem em tudo para o visitante que ficava satisfeito com o juiz da casa que roubava a favor dos adversários. Todavia sempre que a bola era levantada para a área do Falcão ele apitava com firmeza e entusiasmo o perigo de gol que tendo em vista o empurra-empurra não era questionado. Se próximo ao final da partida o jogo estivesse empatado ele dava o sinal para um dos atacantes da casa se atirar dentro da área e aí o apito fatal de penalidade máxima a favor do Falcão.  Hoje ao ver o futebol profissional e a atuação de alguns árbitros eu me pergunto: será que este cara aprendeu com o “Perna Rica”?

Nos festivais, as partidas eram de tempo reduzido, normalmente trinta por trinta, e existiam regras para definir o ganhador em caso de empate: primeiro critério, a quantidade de bolas na trave, e em segundo, a quantidade de escanteios conquistados e desta forma não seriam necessárias a prorrogação ou disputa em penalidades, para não atrasar a programação dos jogos do dia.

Certa vês fomos convidados para um festival de um time que estava inaugurando seu campo que ficava perto do Cemitério do Carmo na Vila Carmozina.  Choveu sábado e domingo amanheceu chovendo muito. Não conseguimos o caminhão do Toninho Valvoline e fomos andando até o local do jogo que não era tão longe, ficava a uns três quilômetros de nossa sede.
Texto: Marcos Falcon - E-Mail: marcosfalcon@uol.com.br
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